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Vivenciando a diversidade dentro de casa

  |  Postado por: AIESECo do Blog 8 de julho de 2015

Imagine receber, em sua casa, para morar com você e sua família, uma pessoa que você nunca viu na vida. Seria algo difícil, mas contornável, certo?

Imagine, então, que essa pessoa não tenha os mesmo hábitos que você. Come outra coisa, dorme em horários diferentes e se expressa também de outra forma.

E se ela for de outro país?

E nem português souber falar?

Parece complicado embarcar em uma aventura como essa por semanas, certo?

Só que muita gente topa o desafio – e vicia na experiência.

Matheus Ferreira que o diga. Assim como a Micheli, a Edith e o Paulo César, ele recebeu um intercambista da AIESEC em casa por seis semanas.

Badran veio do Egito e morou em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, cidade do Matheus. Abaixo, você confere o relato do Matheus sobre o tempo de experiência. E ele dá o recado – “ainda não fui host depois do Badran, mas já tenho planos para hospedar mais uma pessoa aqui em casa”.

Leia o relato do Matheus para o blog da AIESEC:

 

Então, inicialmente eu quis ser host porque na época, julho de 2014, eu fazia cursinho de inglês e uma colega, a qual viria a ser minha colega de Diretoria futuramente, falou sobre a AIESEC e o programa de Host.

Vi ali uma ótima oportunidade de praticar o meu inglês todos os dias e por isso aceitei receber um intercambista em casa. Como éramos apenas minha mãe e eu em uma casa de três quartos, não haveria maiores problemas de acomodação. Na época, não havia nenhum nativo de língua inglesa com previsão de chegada na cidade e, por esse motivo, procurei outras pessoas que ainda não tinham conseguido um host.

Foi então que apareceu o Badran, um egípcio estudante de engenharia de uma universidade alemã no Cairo. Falava inglês fluentemente por isso. Eu e minha mãe conversamos com o pessoal da AIESEC pra sabermos quais eram as condições para hospedá-lo e assim o fizemos, um mês depois. Apesar de ter falando brevemente com ele antes da chegada, pouco sabia sobre a cultura egípcia e seus hábitos. Imaginava receber um islâmico regrado e, por isso, separamos um quarto em casa para que ficasse mais à vontade.

Sabia que seria uma dificuldade grande para minha mãe se comunicar com o Badran, pois ela não fala uma palavra em inglês. Esse foi o primeiro desafio. Como fazer com que se entendessem no momento em que eu não estivesse em casa (o que aconteceria muitas vezes, já que estava em época de aula)?

O fato é que ela é uma pessoa muito comunicativa e que facilmente dava um jeito com mímicas e sinais mesmo que, na maioria das vezes, a reação viesse com uma risada de quem continuava sem entender. Houve muitos momentos em que o desconhecimento da cultura islâmica e egípcia nos fazia criar barreiras para determinados tipos de comportamento.

O fato de nos países árabes os homens fumarem o tradicional “shisha” o tempo inteiro foi adaptado para a nicotina aqui. Mais um desafio. Outro fator complicado foi a comida. Ele era vegetariano e não sabíamos disso. Ficava difícil cozinhar e ter variedades já que sempre comemos carne. Oferecíamos comida igual e ele não se recusava a comer. Mesmo assim, comia muito pouco.

De uma forma geral ele sempre foi muito tímido e, na medida em que foi interagindo com os demais trainees da cidade, isso se amenizou e o convívio melhorou. Passamos a sair mais juntos, ensinar português/árabe um ao outro e mostrar fotos da família e do país. Em virtude de todos esses pontos e fatos ressaltados anteriormente, posso dizer que meus grandes aprendizados foram aprender a aceitar hábitos de culturas diferentes, o que inicialmente parece uma coisa simples, mas não é. Posso dizer que hoje entendo muito mais sobre interculturalidade e qual a sua influência no comportamento dos povos. Por trás de um comportamento que se parece sensato reprovar imediatamente há uma explicação, histórica ou cultural, e “imune” a julgamentos de um estrangeiro. O que também não quer dizer que você não tenha que se adaptar. O Egito é muito mais do que algumas pirâmides e camelos que a maioria das pessoas imagina. Assim como qualquer outro país que a AIESEC te oferece a oportunidade de conhecer.

Por fim, o que mais me deixou feliz ao final da experiência do Badran aqui foi perceber que, muito mais do que praticar o meu inglês ou conhecer outro país, eu tinha ganhado um irmão. Alguém com quem eu poderia manter contato, mesmo a dez mil quilômetros de distância e, quem sabe um dia, voltar a ver e contar o que se passou depois daquele tempo.

Você acha que teria a coragem de passar por essa experiência?

 

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Categoria: AIESEC, Hosts, Intercâmbio

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