Viajar e fazer a diferença

A AIESEC acredita que a troca de experiências e o conhecimento abrangente é uma das principais ferramentas para mudar o mundo. Mudar para melhor.

Como nossa missão aponta, “possibilitar que jovens descubram e desenvolvam seus potenciais de liderança para causar um impacto positivo na sociedade através de oportunidades de liderança, intercâmbios profissional e voluntário” é nosso grande propósito.

Viajar, portanto, é uma das formas de se desenvolver, entrar em contato com o que não conhecemos, absorver e evoluir com esse aprendizado. Conhecer e ver o mundo por outros ângulos e enxergar realidades de formas diferentes.

Por isso, o blog da AIESEC traz um depoimento diferente hoje, mas totalmente conectado à nossa missão e forma de entender o mundo.

André Fran, jornalista e publicitário, um dos idealizadores e apresentadores do Não Conta Lá em Casa, do Multishow, cedeu um texto do seu livro para o blog da AIESEC que fala sobre a oportunidade de agir para mudar e ajudar pessoas e lugares.

Fran não age da mesma forma que os intercambistas da AIESEC. Nossos intercambistas não estão em risco. Apesar das formas de atuação serem diferentes, a fome pelo novo e por um papel ativo na sociedade são as mesmas. Com vocês, André Fran:

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Desde o início de 2009, tenho viajado com esses meus três grandes parceiros produzindo o programa Não Conta Lá em Casa, para o canal Multishow. O programa tem o objetivo de mostrar a realidade de alguns dos destinos considerados, por motivos diversos, extremamente complicados. Batizamos a série com esse nome pois imaginamos que, se fôssemos alertar nossos familiares sobre os locais para onde iríamos ou o que estávamos pretendendo fazer, corria o risco de nem darmos o primeiro passo pra fora de casa.

 Nas primeiras temporadas, decidimos tratar de destinos que fariam corar o mais audacioso guia turístico. Foram 13 episódios para apresentar o “Eixo do Mal”, segundo definição nada simpática do ex-presidente norte-americano George W. Bush. Conhecemos a ditadura opressora de Mianmar que agride monges indefesos e prende seus cidadãos por cometerem o crime de contar piadas sobre seus governantes, vimos do lado de dentro a realidade surreal da fechadíssima Coreia do Norte, fizemos amizades (femininas!) no polêmico Irã e quase choramos de medo nas ruas do Iraque que mais parecia um cenário de filme do Rambo.

 Com o sucesso conquistado nos nossos primeiros destinos, ganhamos coragem e respaldo para alçar voos mais distantes (em todos os sentidos) e abordar outros assuntos complicados, mas não menos perigosos. Resolvemos abordar outra terrível ameaça ao planeta: o aquecimento global. Na Dinamarca, durante a reunião do COP 15, a cúpula da ONU sobre o tema, tivemos contato pela primeira vez com a história triste e desconhecida de Tuvalu. Da Europa seguimos então para a ilha-nação que periga se tornar o primeiro país do mundo a sumir completamente do mapa por conta da subida das marés provocada pelas agressões do homem ao meio ambiente.

Produção do NCLC na Etiópia

 Também embarcamos pela primeira vez com destino ao continente africano. E o adequado portão de entrada ali foi justamente o conturbado Chifre da África. Lá passamos por Etiópia, Djibuti e Somália, o país mais perigoso do mundo, que nos trouxe pesadelos temáticos no melhor estilo de Falcão Negro em Perigo. Para encerrar com chave de ouro, conseguimos cumprir uma missão que vinha sendo adiada há algum tempo por questões de segurança (sim, na medida do possível, nós prezamos pela nossa segurança): visitamos o polêmico Afeganistão.

 Na terceira temporada voltamos ao ponto zero do tsunami de 2004, na Indonésia, onde filmamos o “documentário que deu origem a série”, o Indo.doc. Fomos conferir, cinco anos depois, em que pé estava o processo de reconstrução do marco inicial do projeto Não Conta Lá em Casa, a região de Banda Aceh.

 Em nossa quarta temporada, abandonamos o roteiro preestabelecido e partimos rumo ao Japão pouco depois do terremoto e consequente tsunami que arrasaram grande parte da costa norte do país. Entre destroços, ameaças nucleares, racionamento de comida e energia e o temor da população, pudemos avaliar em primeira mão como uma das maiores e mais desenvolvidas metrópoles do mundo estava reagindo a tamanha calamidade. Mais do que isso, pela primeira vez na história do programa pudemos participar de uma missão de ajuda humanitária. Algo extremamente gratificante e emocionante.

 Infelizmente, por culpa da ganância, insanidade, prepotência, insegurança e estupidez do homem, ou por eventualidades do ecossistema, temas para o programa surgem aos montes a cada ano. Seguimos buscando pelo mundo histórias e pessoas que sirvam de motivação. Que possam inspirar ou revoltar, mas sempre provocar uma reação, uma necessidade de questionar, agir e transformar. Novos desastres naturais devastam países sem fazer distinção geográfica, política ou econômica. Novas guerras são travadas por motivos raramente justificáveis. Novas revoluções ganham força e são transmitidas ao vivo pela internet. Enquanto houver desinteresse ou interesses escusos, desconhecimento ou manipulação na informação, uma causa justa ou uma injustiça global, estaremos dispostos e interessados em entender, mostrar, denunciar e (por que não?) ajudar.

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André Fran também possui uma agência de intercâmbio voluntário, a Volunteer Vacations. Este texto foi cedido por ele para o blog da AIESEC e pode ser encontrado em seu livro, Não Conta Lá em Casa, sobre algumas das aventuras do programa.

Conheça a Base#1, a produtora de André Fran neste link.

Islândia

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