Verdade ou mentira?

  |  Postado por: AIESECo do Blog 25 de maio de 2011

O choque cultural entre países não é de interesse exclusivo de pesquisadores, autores, historiadores ou jovens buscando novas experiências. É uma curiosidade geral. A televisão é um dos meios de comunicação mais populares no Brasil e as novelas, um gênero mais do que bem sucedido. O que uma coisa tem a ver com a outra? Experimente juntar a popularidade das novelas com a curiosidade geral. Sucesso na certa.

Não é novidade para ninguém que as produções estão cada vez mais elaboradas e que os primeiros capítulos de uma novela das oito vão tentar mostrar a cultura de outro país. A autora Glória Perez, por exemplo, ganhou destaque ao fazer isso inúmeras vezes, mas é indiscutível o sucesso de “O Clone”, no ar novamente nas tardes da Rede Globo. A cultura que ela tentou retratar? Os muçulmanos e toda a complexidade que envolve sua religiosidade, a honra e os costumes do Marrocos. Mas será que a história de amor entre Jade e Lucas e todos os conflitos do núcleo muçulmano da novela global conseguiram cumprir o objetivo da autora? Verdade ou mentira?

Confira as chamadas para a novela que tenta retratar a cultura muçulmana e o choque cultural com o povo brasileiro.

Nós fomos averiguar e conversamos com intercambistas que escolheram  o Marrocos para viver a experiência de suas vidas. E não ficamos muito surpresos ao descobrir que muita coisa do que você anda vendo na TV pode não ser tão real. Sabe aquela sensação que todo brasileiro tem de que os estrangeiros nos resumem a futebol e samba? Pois é, pelo menos os marroquinos também devem sentir algo parecido.

 

“É o mesmo que generalizar que todo brasileiro nasce com samba no pé”

João Luiz Teixeira Andrade é de Belo Horizonte e voltou do Marrocos a pouco tempo. São muitas experiências para contar. Mas a primeira surpresa, além do choque com a língua, foi a hospitalidade do povo muçulmano. “Passei por momentos de pequenos choques culturais, como na época do reveillon e do natal. Para mim foi algo mais que interessante perceber que essas datas são comemorações religiosas, e nós, católicos, na maior parte do tempo não nos damos conta disso”.

Detalhes do dia a dia também ganharam destaque: “para o marroquino, a refeição é um momento único do dia e que deve ser passado em família. A refeição era servida em um grande prato que todos compartilhavam. A família é uma unidade bastante sólida. Acho que isso é bem retratado na novela da Globo”.

Mas quando perguntado diretamente sobre a novela, João Luiz faz ressalvas. “O Marrocos é um país considerado moderno no mundo árabe. É menos conservador. Das pessoas que tive contato lá, poucos eram as realmente praticantes da religão. É interessante porque no ocidente pensamos que todo muçulmano é um fanático religioso. As mulheres são muito emancipadas. No começo tinha medo de olhá-las, mas logo percebi que são tão comunicativas quanto os homens. Elas também trabalham e cuidam da família (não são tão fechadas como vemos nas produções daqui)”.

“Acho que a novela exagera um pouco relação às roupas. As pessoas lá andam bem vestidas, ao melhor estilo europeu. Mas os trajes tradicionais, em geral são simples. A forma como as mulheres da novela se vestem acredito que é como se estivessem indo a uma festa de gala todos os dias. A dança do ventre não é tão popular como na novela não. É o mesmo que generalizar que todo brasileiro nasce com samba no pé. É pensar que lá eles dançam para tudo o tempo todo e que todos sabem dançar”.

 

“Uma novela é apenas uma novela”
Cassandra Brunetto também só tinha contato com o Marrocos através de televisão, revistas e internet. Ao chegar no país, já esperava que o choque cultural existisse. “Eu já esperava que o choque cultural existisse, justamente pelas diferenças políticas e religiosas entre o Brasil e o Marrocos. Mas também percebi muitas semelhanças começando pela receptividade e simpatia das pessoas. Assim que cheguei à área de desembarque do aeroporto e várias pessoas vieram falar comigo, tentando oferecer ajuda”.

Cassandra acredita que a novela está repleta de estereótipos. “Sem sombra de dúvida, o Marrocos possui uma cultura riquíssima. Comida, vestimenta, música, religião, arquitetura, tudo aqui é cheio de cultura, e de muita, muita História. Mas nada é exagerado. Há mulheres que usam o véu e outras (a maioria) que não usam, e uma minoria que usa a burca. O chamado, assim como em outros países

Portões de Fèz: Bab Boujloud

muçulmanos, acontece cinco vezes ao dia, mas reza quem quer, seja em casa ou nas mesquitas. Na verdade, ‘O Clone’ retrata apenas a realidade da elite, o que em nada tem a ver com a realidade da maioria da população do Marrocos. Vestidos, maquiagens, jóias, decoração da casa, tudo isso existe aqui no Marrocos, mas na realidade de famílias extremamente tradicionais”.

Cassandra ainda relata que é comum encontrar famílias que respeitam os costumes e tradições locais em diferentes níveis. “Aqui, há famílias que rezam cinco vezes ao dia, da mesma forma que há famílias onde as pessoas frequentam a mesquita em longos espaços de tempo. Enfim, uma novela é apenas uma novela, portanto, já considero motivo suficiente para não se levar à sério na hora de avaliar costumes locais de um país com tantas tradições como é o caso do Marrocos”.

 

Quer conhecer mais histórias e experiências dos intercambistas? Confira o blog do João Luiz e o Tumblr de Cassandra Brunetto. E quanto às novelas, você acha que elas conseguem pelo menos instigar sua curiosidade a conhecer de verdade um lugar desses? Que tal buscar um intercâmbio pela AIESEC? Estamos te esperando!


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Categoria: Intercâmbio

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