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Saiba o que mais marcou a vida dos participantes do ” 3 visões de mundo”

  |  Postado por: AIESECo do Blog 10 de setembro de 2015

Ao longo de mais de um mês, vocês puderam conhecer através do blog, do Facebook e do Instagram um pouco mais sobre o Antônio, que foi para o México a Ana, que foi para a Índia e a Bia, que foi para a Argentina. Os 3 participantes foram selecionados para participar do ” 3 visões de mundo”, uma ação realizada pela AIESEC in Brazil que contou um pouco da rotina de 3 intercambistas em partes diferentes do mundo.

No post de encerramento de hoje, conversamos com os participantes para saber o que mais marcou na viagem, do que eles mais sentirão saudades, qual foi o maior aprendizado e muito mais! Leia a entrevista:

Bia no Museo de Ciencias Naturales

AIESEC: Como foi a experiência de ficar 6 semanas longe de casa? 

Antônio: A experiência de viver longe de casa foi muito edificante. Eu que sempre vivi com minha família, pude experimentar isso, mesmo que de forma temporário. Tive que lavar roupa na mão, ajudar a manter a casa limpa ( já que eu fiquei numa trainee house lá, aonde só ficam intercambistas), tive que colocar meus dotes culinários em prática.  (Eu só sei fazer arroz, ovo frito e macarrão hahaha). Mas para mim, foi uma experiência incrível, quando você volta a sua realidade, você com certeza volta com uma visão diferente, com um senso de responsabilidade e maturidade muito maior.

Ana: Não vou mentir que sempre sentia falta de casa, principalmente da comida da mamãe, mas foi uma experiência diferente. Eu já moro fora de casa, então estou acostumada a sentir saudade dos meus pais, mas o fato de não ter ninguém da minha família pra me socorrer se algo acontecesse, de estar em um lugar onde eu não conheço quase ninguém e de ter que conviver com pessoas que eu nunca havia visto antes foi extremamente desafiador. Apesar de tudo, o clima família que tínhamos em casa se tornou reconfortante em momentos de saudade, de necessidade e de diversão também. Minhas companheiras fizeram tudo valer muito a pena.

Bia: Foi sem dúvidas uma das experiências mais incríveis que já vivi, porque tive duas famílias. Nas primeiras semanas vivi os costumes de uma família tradicional cordobesa, num bairro de famílias bem tradicionais, totalmente o contrário da minha. Depois fui morar no coração de Córdoba, onde milhares de universitários vivem, foi maravilhoso! Eu tive que aprender a lavar minha roupa, manter sempre a casa arrumada, a me perder e me encontrar mil vezes, aprendendo a ser responsável por mim mesma e pelo impacto que estava buscando causar!

Ana e seus amigos na Índia

AIESEC: Do que você mais gostou e do que vai sentir menos saudade?

Antônio: O que mais gostei, sem sombra de dúvidas, foram das comidas e do lugares para conhecer. O México é um país riquissimo em cultura! É impossível conhecer tudo em 1 mês e meio, a não ser que a pessoa vá somente para isso. Mas ainda assim, pude conhecer muitos museus, muitas praças, igrejas e cidade pequenas que ficam próximas a Cidade do México. Aliás, essas cidades eram os meus passeios preferidos, pois lá, você realmente via e vivia a cultura deles, cultura que veio desde o tempo Asteca e que permanece até hoje. O que eu não vou sentir falta, é da pimenta hahaha, e do trânsito super caótico. Muitas vezes, piores que os do Brasil!

Ana: Estar em contato com TANTA gente, de TANTO lugar diferente, de manias diferentes, modos de encarar a vida diferentes, tudo isso é assustador, a princípio. Depois que tive a chance de realmente conhecer as pessoas que estavam em contato comigo, pude encontrar algumas que, mesmo vindo de lugares que não tem nada a ver um com o outro, se transformaram em grandes amigas de discussões polêmicas, de baladas, de viagens, de segredos… Isso foi o que eu mais gostei: de ter feito amigos verdadeiros (minhas travel-sisters e meus indianos loucos) de tantos lugares do mundo, pessoas que eu quero ter na minha vida por muito tempo.O que vai deixar menos saudade é a sujeira… Infelizmente, a Índia é um país muito sujo, as pessoas tem hábitos de higiene que eu não suporto e nunca me acostumaria! Não sei se nós, brasileiros, somos limpinhos demais, mas jogar lixo no chão e não usar desinfetante pra limpar as coisas NÃO DÁ!

Bia: Gostei muito das pessoas que conheci lá, dos amigos que fiz, das famílias que tive.. As coisas que eu mais gostei foram vividas com outras pessoas, principalmente a liberdade com responsabilidade… Ah, e lá tinham parques incríveis (como o Sarmiento), que já sinto saudade! O que menos vou sentir saudade com certeza é de sair de casa com milhares de peças de roupa de frio.

Antônio visitando pontos turísticos do México

AIESEC: Como foi a sensação de participar de projetos tão especiais e como isso impactou a sua vida? 

Antônio:  Desde que eu decidi fazer o intercâmbio, eu queria um projeto que me fizesse sair totalmente da minha zona de conforto, um projeto que me desafiasse a cada dia e dar aulas para mim, era o tipo de experiência que eu sabia que conseguiria viver isso. Dar aulas de português é incrível, poder ensinar o que você sabe, ensinar um pouco mais da cultura do Brasil e criar uma visão maior de mundo nos meus alunos foi ótimo! Com esse projeto eu aprendi a ser mais paciente, a entender mais o lado da outra pessoa , a lidar mais com pessoas, a falar em público e ser o líder de um grupo! Eu costumo dizer que foram eles quem me ensinaram mais,  eu fui o verdadeiro aluno nesse projeto! 

Ana: Falar sobre o estupro em uma sociedade extremamente patriarcal, onde a mulher, além de submissa, é forçada a fazer várias coisas foi realmente intenso. Tudo o que eu queria era que elas se sentissem fortes o suficiente pra lutar pelos seus direitos, pelo seu reconhecimento e igualdade, contra toda a opressão que elas sofrem. Ver o brilho nos olhos delas quando falávamos que era POR ELAS que estávamos ali, que nós entendíamos o que elas passavam, como se sentiam, e que estávamos ali pra começar a mudança fez tudo valer a pena. Demos o martelo, agora é com elas quebrar as barreiras. Isso me fez crescer, principalmente como mulher. Me fez me conhecer, repensar estereótipos, repensar tudo o que eu vivia. Às vezes, eu pensava: “ah, não é pra tanto, vai. Nem é tudo isso”. Mas hoje eu vejo que, SIM, É TUDO ISSO, SIM! É opressor, é machista, e eu vou lutar contra tudo o que incomoda a mim ou às minhas irmãs de luta. A Índia me empoderou enquanto eu tentava empoderá-la, e esse foi o maior impacto que eu tive.

 Bia: Foi realmente muito importante pra mim porque nunca havia trabalhado num âmbito profissional com tamanha responsabilidade social. Tive o prazer de aprender a organizar palestras incríveis e poder assisti-las, com os mais diversos temas sociais, e aprendi principalmente a me portar diante do meio profissional. Fico muito feliz em ter participado de um projeto diferente do público alvo normal, a conscientização empresarial também é muito importante pro desenvolvimento conjunto da sociedade cordobesa, da Argentina e de todo o mundo!

Bia trabalhando na Argentina

AIESEC: O que mudou na sua vida depois dessa viagem? Qual ensinamento/lição você tirou dela? 

Antônio:  Essa viagem me fez enxergar, que não somente o Brasil vive problemas. Que muitas vezes, o Brasil acaba sendo agraciado em certos aspectos. Aprendi também a respeitar mais a cultura do próximo, que o que antes para mim poderia ser estranho, na cultura do outro era algo normal. Ou seja, me tornei uma pessoa com a mente mais aberta.

Ana: Quando eu estava indo para o meu intercâmbio, vi um filme (que todo mundo fala) chamado “The Best Exotic Marigold Hotel” e uma das personagens diz a seguinte frase: “o que você vê neste país que eu não vejo?”. Ela não conseguia ver coisas boas na sujeira, pobreza, loucura da Índia – e foi exatamente isso que eu mudei em mim. Aprendi a ver o lado bom e belo das coisas simples que aquele país, aquelas pessoas tinham pra me oferecer. O lixo no chão passava despercebido porque eu perdia tempo demais olhando o céu maravilhoso do verão. E assim a gente se transforma e deixa de lado aquela preocupação com as aparências, bem característica do brasileiro. Assim a gente aprende a ver que a lista de problemas de qualquer país é extensa – e que ninguém merece ficar reclamando deles enquanto se tem tantas belezas ao redor.

Bia: Eu aprendi acima de qualquer coisa que o senso de responsabilidade é fator preponderante pro desenvolvimento pessoal e profissional. Entendi que por mais que meu país tenha problemas, isso não faz dele um lugar ruim, e que todos os outros também passam por problemas. E que pontos como a saúde e a educação que são tão mal vistos pelos brasileiros, em outras realidades são bem piores. Vivendo numa cultura nacionalista, pude perceber o quanto é importante você abraçar sua nação pra conseguir mudar e impactar ela.

Ana conhecendo a Índia

AIESEC: Como essa experiência foi importante para desenvolver habilidades como resiliência e a liderança em você?  

Antônio: A experiência do intercâmbio, faz com que você, através das experiências vividas, se torne um líder. Poder desenvolver características de um líder, poder ter a experiência de ser um líder foi muito importante. A resiliência também é algo que está muito presente na viagem. Conforme os dias iam passando, você melhora defeitos e aprende a ser a uma pessoa melhor, mais paciente, mais respeitosa, mais humana. Realmente é uma experiência que eu indico a todos!

Ana: É muito, muito, MUITO difícil trabalhar com indianos. Eu, pessoalmente, dou muita importância para os trabalhos que faço e quero fazer tudo como planejado. Todo dia tínhamos uma surpresa, os indianos com que lidávamos me mostraram que, pra eles, pouco importava se algo estivesse bem feito, enfrentamos muitos imprevistos que tivemos que resolver sozinhos, mas, no final, tudo contribuiu para o meu desenvolvimento. Minhas amigas me chamavam de mãe – e muitas vezes jogavam todos os problemas pra cima de mim, para que eu resolvesse, como se eu fosse mais importante ou algo assim. É muito fácil quando outra pessoa sabe a resposta pra tudo, resolve tudo, arruma tudo e você não tem dores de cabeça, não é? Eu nunca as deixava ficar na zona de conforto. Algumas vezes, quando algo aparecia e eu sabia que aquela pessoa era capaz de resolver/fazer, por mais que eu também fosse, gostava de dar o empurrão para que elas saíssem do lugar, sabe? Eu apreciaria se fizessem isso por mim, como já fizeram antes e sei o quão importante foi pro meu crescimento, e queria fazer minhas amigas crescerem, também. 

Bia: Durante a preparação para o intercâmbio tudo parece muito surreal. Só que quando você sai de casa pra viajar, já tem que estar preparado pra enfrentar com paciência e sabedoria todo e qualquer problema que vier pela frente, desde um voo cancelado até se machucar na rua. Isso, de ter que resolver os problemas sozinha, me fez crescer muito. Me fez perder medos e confiar em mim, me fez ser líder de mim mesma e do que estava me propondo a fazer. Durante uma experiência como essa, sua resiliência é constantemente trabalhada, e é realmente fascinante o quanto é possível se desenvolver com isso.

Antônio conhecendo o México

E aí, o que acharam do 3 visões de mundo? Gostaram de conhecer um pouco mais da Índia, México e Argentina? Continue lendo o blog e acompanhando o Facebook em breve contaremos novas histórias para vocês.

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Categoria: AIESEC, Sem categoria

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