O que move quem quer fazer a diferença?

A AIESEC é um agente permanente de transformação.

Desde quando a organização consegue atrair estudantes para o processo seletivo de membresia ou para intercâmbios – voluntários ou profissionais – até o fim do trabalho desempenhado por cada uma dessas pessoas.

A partir desses contatos, todos estão conectados à AIESEC, de forma mais distante ou próxima, mas o nosso propósito começa a trabalhar mais forte nessas pessoas. Elas estarão dentro da lógica de que, se queremos um mundo melhor, devemos trabalhar para isso.

No entanto, em algum momento, o elo com a AIESEC se “desfaz”. As responsabilidades diretas cessam e o que resta é a saudade e a memória. Mesmo assim, essa lógica de impactar segue viva em muitos dos que saem e, mesmo depois da AIESEC, essas pessoas decidem continuar impactando e trabalhando para fazer alguma diferença no desenvolvimento de uma comunidade, cidade, país.

O blog da AIESEC vem contando a história de alguns desses agentes transformadores que tiveram sua vontades e competências catalisados dentro da organização. O primeiro foi Gustavo Fuga, depois Marcelo de Medeiros e hoje vamos contar quem é Marília dos Reis Martins.

A partir de agora, a palavra do blog da AIESEC está com ela, que responde às nossas perguntas e fala de sua experiência acadêmica, profissional e da Colibrii, a empresa que canaliza a vontade dela de mudar o mundo.

Boa leitura! 🙂

 

Eu sou a Marília. Tenho 23 anos e sou formada em Economia pela UFRGS, faço Ciências Sociais na mesma universidade e mestrado em Economia do Desenvolvimento na PUCRS, onde estudo especialmente Economia da Pobreza e Desenvolvimento Humano. Moro em Porto Alegre e amo viajar e estar entre pessoas queridas.

Período na AIESEC 

Quanto tempo ficou?

Dois anos, de 2010 a 2011. 

Por que decidiu entrar?

Entrei na AIESEC em meu primeiro mês de faculdade. Não sabia exatamente do que se tratava, mas sabia que a organização trabalhava com intercâmbios, e isso me atraiu. Só fui descobrir que se tratava de muito mais que isso quando já estava lá dentro!

 O que fez na AIESEC?

Durante o ano de 2010, fiz parte do time de ICX (área responsável pelo recebimento de intercambistas na AIESEC), onde fui coordenadora de vendas – naquela época não havia separação entre intercâmbios corporativos e voluntários. No fim de 2010, fiz um intercâmbio de dois meses para Denizli, no interior da Turquia, onde trabalhei em um centro de ensino de inglês para crianças e adolescentes. Em 2011, fui Diretora de Gestão de Talentos do escritório de Porto Alegre.

 O que seu tempo na AIESEC agregou para sua vida?

A AIESEC foi a minha primeira experiência de trabalho na vida, e o senso de propósito da organização é muito forte – para que e para quem estou trabalhando? Por que faço o que faço? Esses questionamentos constantes e a forma como o trabalho é feito e pensado na AIESEC moldaram a forma como eu encarei meus trabalhos futuros.

Conte mais para o blog sobre seu projeto, a Colibrii

Na metade de 2013, ainda antes de me formar e junto com uma colega dos tempos da AIESEC e partilhadora das mesmas motivações, começamos a frequentar uma comunidade de baixa renda de Porto Alegre, o Morro da Cruz, e a desenhar um negócio social, que hoje se chama Colibrii. Atualmente somos três sócias – eu, a Alice Medistch – designer, e a Gabriela Ruiz – formada em direito.

A Colibrii foi sendo co-criada com as pessoas com quem a gente se conectou na comunidade. Chegamos lá com a ideia de ser um banco de microcrédito e, depois de um processo que durou meio ano, acabamos criando algo totalmente diferente, porque a gente viu que não era aquilo que fazia sentido pra quem tava envolvido. Hoje a Colibrii atua com artesãs de comunidades de baixa renda de Porto Alegre, propondo uma integração de geração de renda e educação – ensinamos a precificar seus produtos, desenvolver processos criativos e organizar o grupo produtivo, ao mesmo tempo em que co-criamos produtos que sejam atraentes para elas e para quem compra, reutilizando e ressignificando materiais como cinto de segurança, retalhos de tecido, estofado de carro e jeans.

Vendemos esses produtos através de nosso site, de lojas parceiras, e em parcerias com marcas nacionais, utilizando seus resíduos para criar produtos que sejam reinseridos na cadeia de valor da empresa.

Qual o impacto você espera do seu projeto?

Acredito que o impacto que a gente busca gerar não é só pra quem faz, mas pra quem compra também. O que eu espero da Colibrii é que a gente possa incluir cada vez mais artesãos que trabalhem em parceria conosco e que possamos levar esses produtos para cada vez mais pessoas, incentivando o consumo consciente e um estilo de vida mais sustentável.

Onde quer chegar com ele?

Uma coisa que sempre pautou nosso trabalho com a Colibrii foi um constante questionamento. Porque a gente vai fazer uma alça de corda se a gente pode usar cinto de segurança? Porque a gente vai usar forro de tecido comprado se a gente pode usar capas de sombrinha e gerar renda pra catadores e centros de reciclagem? E isso foi essencial para tornar nosso processo o mais justo, coerente e consciente possível. É claro que isso também torna as coisas mais desafiadoras – no mundo da fast-fashion, das marcas low-cost e dos sites da China, vender algo com ‘preço justo’ e que beneficia a todos da cadeia de valor é cada vez mais difícil. E esse é nosso principal objetivo – incentivar esse consumo consciente, e mostrar que um vestido de 5 dólares ou uma bolsa de 10 não devem ser encarados como uma barbada, mas como um sinal de alerta.

Se a gente conseguir mudar um pouquinho o pensamento das pessoas e a forma de consumir, melhorando a qualidade de vida de quem produz, eu sinto que a Colibrii vai estar cumprindo seu papel.

A AIESEC teve importância na sua decisão de montar a Colibrii?

Com certeza! Depois da AIESEC e antes da Colibrii eu trabalhei no meio corporativo por algum tempo – em um banco e em uma consultoria -, e vi que aquilo não me preenchia totalmente, e não gerava o impacto positivo de que a gente tanto falava na AIESEC. Não fosse minha experiência na organização, talvez esses questionamentos nem fossem feitos por mim, e possivelmente a Colibrii não existiria hoje.

Além disso, a AIESEC hoje é nossa parceira – já recebemos três intercambistas, do Equador, Suíça e Colômbia, e foi uma experiência maravilhosa poder se conectar com a organização agora como stakeholder!

 

Conheça a página da Colibrii no Facebook clicando aqui.

Se você também é um alumnus que mantém um projeto de impacto, envie uma mensagem para nossa página para contarmos sua história aqui no blog também!

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