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Após seu intercâmbio na Indonésia, estudante cria um negócio social

  |  Postado por: AIESECo do Blog 14 de março de 2016

 

Trabalhar por um propósito maior sempre foi o desejo do Ricardo. Estudante de administração da UFRGS, em Porto Alegre, ele abriu um negócio social depois de fazer um intercâmbio com a AIESEC na Indonésia. Ricardo conversou com a gente e contou um pouquinho sobre o seu projeto no país, além da influência que essa experiência teve para fundar o “weBike”. Confere só o nosso bate-papo:

1. Como era o seu projeto e a sua rotina na Indonésia?

Fui professor de inglês e era responsável por diferentes turmas com alunos entre 12 e 23 anos. A escola tinha seu próprio método de ensino  definido, porém havia um espaço ao fim da aula pelo qual eu era o responsável. Era o momento para interagir com os alunos e tratar de assuntos que fossem do interesse de todos: fazíamos debates, cantávamos músicas, criávamos histórias… ensinei sobre a cultura do Brasil e aprendi sobre a cultura da Indonésia. Compartilhamos os nossos sonhos, e refletimos sobre temas diversos como carreira, religião, drogas, pena de morte, mobilidade urbana, empreendedorismo, etc.

2. O que mudou na sua vida depois do intercâmbio?

Tanta coisa mudou que é difícil resumir. Acredito que tudo esteja contemplado na mudança interna: visão, perspectiva e consciência. Convivi com realidades que não fazia a mínima ideia que existiam. Diferentes formas de estudar, trabalhar e ver o mundo. Tradições e hábitos até então estranhos para mim passaram a fazer parte do meu cotidiano. Ampliei a minha consciência sobre a diversidade que existe no mundo e tive novas visões diferentes da que me baseava, até então, apenas na minha realidade. Quando se enxerga o mundo por diferentes olhos, lentes e  perspectivas, se percebe que o horizonte de possibilidades é infinito. Passei a compreender, respeitar e aceitar o diferente com muito mais naturalidade e me tornei grato por tudo que tenho, especialmente valorizando a felicidade e a leveza que há nas coisas simples.

3. Quais competências e habilidades você adquiriu que te ajudaram a desenvolver uma visão empreendedora?

Desenvolvi muita autonomia. Havia suporte do escritório local da AIESEC, mas viver a liberdade e a responsabilidade de ter que resolver problemas por si e tomar decisões rápidas em imprevistos ou situações de pressão é de um valor inestimável. Adquiri uma visão global, por  perceber a riqueza da diversidade, a imensidão de diferentes culturas que habitam nosso planeta e poder conviver com várias delas. O que eu destacaria mais, porém, é a empatia, pois acredito ser a ‘competência’ do século. Nestes novos tempos em que vivemos, em uma era de transição, de disponibilidade de informação nunca antes vista e com a maior integração global que já se viu, conseguir se colocar no lugar do outro, enxergar pelos seus olhos e buscar a compreensão e o respeito pelo diferente, daquilo que não se viveu, que não se sabe. Ao meu ver, esta é a chave para transformar nosso mundo.

4. Você sente que causou um impacto positivo durante o seu projeto?

Acredito ter impactado muitas vidas e ter ajudado as pessoas a despertarem seus próprios potenciais. Isso, para mim, é desenvolver liderança. Lidar com educação é algo muito delicado, motivador, inspirador e gratificante. Mais do que ensinar uma matéria ou um idioma, o professor lida com os sonhos, medos e paixões, ajuda a formar o caráter e a personalidade, consolidar os valores e fazer com que aprendam a pensar e criar opiniões.

Além da minha experiência como professor na escola, também tive a oportunidade de participar do Youth To Business, um evento global da AIESEC, como palestrante. Pela primeira vez acontecendo em Padang, o evento tratava dos desafios da Indonésia inserida no contexto de mudanças socioeconômicas no Sudeste Asiático e contava com grandes líderes empresariais, empreendedores e pessoas muito inspiradoras do país. Poder falar sobre negócios sociais com a intenção de inspirar os jovens a fazer a diferença que eles querem ver em suas vidas, em seu país e no mundo foi uma experiência única e incrível. Quando se faz as coisas com intenção, vontade e um propósito maior por trás, o resultado sempre é positivo. Mais do que grandes feitos, sinto que contagiei aqueles ao meu redor nos mais simples gestos, pois quando estes são feitos de forma inspirada, eles também são inspiradores.

5. Conte um pouco mais sobre o negócio que você fundou em Porto Alegre. De que forma ele impacta a cidade?

O weBike veio pra revolucionar a mobilidade urbana dando o acesso a bicicleta através de uma comunidade de compartilhamento. Através de uma plataforma mobile, as pessoas disponibilizam suas bikes, podendo assegurá-las e tendo a manutenção delas garantida. Aqueles que desejam pedalar pagam uma taxa para ter acesso a todas as bikes da plataforma, que estão disponíveis em diversos pontos seguros e de fácil acesso ao redor da cidade, como universidades, restaurantes, coworkings, bares, hostels e cafés. Acreditamos que a bicicleta, por ser o meio de transporte mais sustentável do planeta, pode ser a solução para uma mobilidade urbana mais inteligente e integrada, e que o compartilhamento de pessoas para pessoas não só otimiza a utilização dos recursos, mas também possibilita que mais pessoas possam ter acesso.

 

6. De onde surgiu a vontade de empreender?

Acredito que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Trabalhar em algo que não tenha um propósito maior, portanto, nunca me agradou. Se não fizer sentido e de acordo com o que acredito, não me preenche. Considerando que empreender, mais do que abrir um negócio, é uma forma de solucionar problemas reais, sempre tive vontade de agir para resolver problemas que doem em mim e em muitas outras pessoas. Conceber algo ‘do zero’ e dar vida é desafiante, mas muito gratificante e me sinto muito realizado por fazer isso.

7. O intercâmbio teve influência nessa decisão? Se sim, como?

Teve e muita! Depois de ter a oportunidade de falar sobre negócios sociais para dezenas de jovens, conhecer muitas histórias inspiradoras de empreendedores que superaram inúmeros desafios e condições desfavoráveis e conhecer diversas culturas e realidades diferentes, voltar para casa foi muito confuso. Estava com saudades, mas o processo de readaptação se mostrou mais difícil do que o de adaptação quando cheguei na Indonésia. Depois de sair da zona de conforto e expandir a minha visão por tudo que tinha acontecido, não conseguia simplesmente voltar a uma rotina comum, segura e confortável. Estava sedento por seguir me desafiando e me desenvolvendo, queria continuar me sentindo vivo, fugir da monotonia e da inércia. Por vivenciar uma realidade muitas vezes difícil, me senti cada vez mais privilegiado pelas condições que sempre tive. Como consequência, me acometeu uma responsabilidade ainda maior pela minha cidade, meu estado e meu país ao retornar. Usufruir de meus privilégios para gerar impacto positivo, liderar a transformação que precisamos e ajudar aqueles que não tiveram tantas oportunidades. Ao mesmo tempo, depois de conhecer tantos exemplos de jovens que, em situações muito mais duras, empreenderam para resolver os problemas de seu país, percebi também que empreender era muito mais uma questão de opção, uma decisão consciente de se comprometer a transformar nossa realidade. Mais do que uma questão de vocação ou de competências técnicas, ser um empreendedor é uma questão comportamental, de atitude.

Para conhecer mais sobre o Ricardo, acesse:

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Categoria: AIESEC, Carreira, Empreendedorismo, Intercâmbio, Sem categoria, Talentos Globais

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