AIESEC por um AIESECer – Camila Bridi

Participar da AIESEC é mais que uma fazer intercâmbio ou realizar trabalho voluntário, é a oportunidade de desenvolver o perfil de liderança que existe em você. E, tudo isso, na prática. Buscamos depoimentos de pessoas que viveram a experiência ao máximo e que podem te inspirar a buscar novas metas.

Camila Bridi tem uma história longa e interessante dentro da AIESEC Brasil. A trajetória dela abrange a presidência da AIESEC Vitória em 2007, gerencia de expansão nacional em 2008 e presidência da AIESEC no Brasil na gestão de 2009/2010.

 Entrei na AIESEC por que queria me tornar uma agente de mudança, e sabia que a experiência proporcionada pela organização é profunda e transformadora na medida em que você se arrisca.

Comecei em Vitória, 2005, e de cara já desenhava projetos com 30 intercâmbios. Primeiro contratempo? O potencial parceiro roubou a ideia e executou o projeto sem trainees. Daí resolvi me postular a Presidente, mas não ganhei. Desde o início aprendi que perder era parte do jogo, mas ser safa também. Em 2006 desenvolvi a área de intercâmbio social no escritório e em 2007 fui eleita presidente da AIESEC local.

A diretoria era apaixonada e almejava tornar a organização muito mais relevante no estado. Fomos o primeiro escritório a ter mais de 100 membros, e premiados como o melhor daquele ano. Depois disso fui eleita Gerente de Expansão, quando ajudei a abrir os escritórios em Manaus, Franca e Fortaleza. Com os resultados em Vitória e na expansão, fui eleita Presidente Nacional 09/10.

A diretoria Sailors logo de início decidiu enfrentar a baixa produtividade da rede, e vivenciamos um grande conflito por valorizarmos países com grande resultados em intercâmbios, mas casos críticos de qualidade. Ora, mas qual é a qualidade da experiência de um CL que realiza menos de 10 intercâmbios num ano? Tínhamos que ser sustentáveis e ambiciosos. Fortalecemos as áreas de operações e com isso avançamos, mas também percebemos que tínhamos uma rede gigantesca que vendia intercâmbio, mas não viajava. Nos mobilizamos em uma grande campanha que mais de 100 mil visualizações no youtube, o “The Way I simply do It” desencadeou uma transformação cultural na rede, com recorde realizações de intercambio e liderança em 2010, e um Prêmio Regional.

Minha vivencia na organização foi intensa e turbulenta. Apesar de tudo que alcancei com meus times e com a rede, investi em estratégias erradas, falhei como líder e tive que reconsiderar posicionamentos. Mas não poderia me deixar abater, pois projetava desafios muito maiores ao longo da minha carreira, então eu só tinha a opção de melhorar.

O olhar que temos sobre a nossa experiência na AIESEC não deve estar aquém à forma como enxergamos a vida, pois sendo a AIESEC parte da sociedade, ela a representa em todos os desafios. É preciso maturidade para enxergar nosso impacto na organização como uma fagulha do que pretendemos deixar no mundo. Se você não arriscar na AIESEC, não vai arriscar em lugar nenhum.

Depois de Presidente Nacional, me formei na faculdade, trabalhei como consultora em estratégia e atualmente estou na Secretaria de Estado de Desenvolvimento no Espírito Santo, na qual já tive oportunidade de monitorar um portfólio que soma R$ 100 bilhões em investimentos nacionais e estrangeiros e gerenciar a implantação sustentável de projetos portuários que influenciam a vida de milhares de pessoas, garantindo desde a eficiência do sistema educacional, até o planejamento urbano de longo prazo. E eu ainda estou devendo meu intercâmbio.

Não queria que essa mensagem fosse só um depoimento, mas um convite a sermos mais ousados e enxergarmos a AIESEC pela sua missão maior, além da nossa experiência. A cultura de autodesenvolvimento às vezes nos leva a um sentimentalismo focado no esforço, mas para sermos agentes de mudança, precisamos gerar resultados. Segundo Martin Luther King Jr, poder “não é mais que a habilidade de alcançar um propósito”, e para isso temos que fixar nossos olhos para a sociedade e enxergar o quanto ainda podemos fazer…

É… Eu deveria ter arriscado mais…

 

Leia também:



Comments

  1. Sensacional Camila, a cultura que a AIESEC possui incentiva bastante os jovens a se arriscarem e serem sempre melhores por meio dos feedbacks que recebemos.. concordo plenamente que esse ambiente deve ser extremamente aproveitado, pois no mercado nem sempre temos as chances de se desenvolver como na organização. Parabéns pelo texto!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *