AIESEC: abrindo portas e mudando vidas


A AIESEC tem como principal meta realizar intercâmbios inesquecíveis, impactar pessoas pelo mundo e aprimorar a liderança que existe dentro de cada um.  E foi exatamente isso que aconteceu com a Letícia Sales.

A Letícia Sales tem 28 anos, nasceu em Londrina, mas morou 7 anos em São Paulo antes de fazer o seu primeiro intercâmbio. Ela fez faculdade de Design de Moda na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e pós em Comércio Internacional na FIA, em São Paulo, com duplo diploma na Université Pierre Mendes France, em Grenoble, França.

A Letícia sempre teve amigos  AIESECos que diziam que ela tinha o perfil para trabalhar na organização, mas como a maioria dos projetos são voltados para gestão e Letícia tinha seu maior interesse  na área de moda ela resolveu não tentar nada. Porém, Letícia se cansou da rotina e resolveu colocar um sonho em prática: morar pelo menos um ano fora! 

Fazer uma pós no exterior não era uma opção, pois geralmente são em período integral, e  eu não queria parar de trabalhar…queria algo onde pudesse trabalhar fora, ganhar um salário e pagar minhas contas sozinha…então a AIESEC apareceu como opção, para o programa Talentos Globais.  Também sentia muita vontade de fazer trabalho voluntário, então resolvi que nesse 1 ano morando fora, gostaria de fazer um intercâmbio de trabalho remunerado, e outro de trabalho voluntário logo em seguida. Comecei a economizar meu salário e colocar na poupança, até juntar a grana necessária. Foi um risco enorme, largar um emprego, minha família e meus amigos para trás e voltar a ser “estagiária”, mas nunca encarei dessa forma.

 

Intercâmbios

As escolhas para Letícia não foram tão fáceis, ela contou que se candidatou para mais de 50 vagas através do Talentos Globais e que todas as respostas eram sempre não.

No começo não estava me candidatando para vagas na área de moda, e sim de gestão. Depois de um mês e meio, eu fiquei super frustrada e decidi repensar minhas escolhas, pois até então não estava considerando Ásia, queria Europa. Percebi que na Ásia tinham muitas oportunidades interessantes, e em moda também, então resolvi abrir a cabeça e tentar. 

No dia 2 de maio de 2013, a vida de Letícia mudou completamente. No mesmo dia ela descobriu uma vaga para o Cidadão Global na Itália e uma para o Talentos Globais na Índia, as duas eram em moda e as duas precisavam de início imediato.

Fiquei super feliz e desesperada ao mesmo tempo, porque as chances de conseguir fazer os dois intercâmbios eram bem remotas. Apliquei, e a partir desse momento eu passei a acreditar em destino e alguma força maior que nos ajuda a conseguir o que desejamos, pois o mundo parece ter conspirado ao meu favor. Fiz a entrevista com a AIESEC Milão mesmo sem fazer parte do Cidadão Global e me aceitaram no programa, mas disseram que eu teria que estar lá dia 18 de maio (ou seja, em 16 dias) porque o intercâmbio começava dia 20. Estava empregada no momento e, mesmo sem saber com certeza se daria certo, pedi demissão e cumpri apenas duas semanas de aviso prévio. Foi uma correria para dar meu raise no Cidadão Global, enquanto isso fazia entrevistas no meio da madrugada com pessoas da Índia, e de algum modo consegui convencer eles que eu só poderia chegar na Índia em julho. Dei o match para os dois programas exatamente no mesmo dia, tomei vacina, comprei passagens, seguro, meu visto para a Índia saiu na quarta-feira e embarquei para Milão na sexta de manhã! UFA!

Em Milão, Letícia fez parte de um projeto chamado EcoFashion Lab, um concurso organizado pela AIESEC local para estudantes de moda. Esse concurso era patrocinado por uma organização tipo o SEBRAE, que apoia os pequenos e médios empresários do setor de vestuário na Itália. Os intercambistas foram divididos em dois grupos: um grupo seria responsável pela divulgação do concurso, e no outro grupo, cada pessoa trabalharia em uma das empresas ligadas à essa organização,  de modo a prestar uma consultoria para eles e ajudando eles por 6 semanas. De lá, ela pegou um vôo direto para Jaipur, na Índia, para trabalhar em uma empresa que fabrica roupas para marcas como Mango, Marisa, Pernambucanas e M. Officer.  Ela ficou por lá 8 meses, e  trabalhava para manter o contato com clientes brasileiros, prospectar novos clientes, acompanhar o desenvolvimento de amostras, ir a feiras e reuniões.

Liderança e novos desafios 

Letícia conta como a AIESEC aprimorou sua liderança e capacidade de lidar com desafios e como depois de 8 meses na Índia ela decidiu abrir o seu próprio negócio.

Trabalhar no exterior é algo que apresenta vários desafios, e superar cada obstáculo e ver seu próprio aprimoramento é algo extremamente gratificante. Ser empreendedora em outro país, ainda mais na Índia, ainda me parece maluco de vez em quando, mas ser empreendedora é algo que eu sempre quis, e depois que vim para a Índia, sinceramente, percebi que não conseguiria mais trabalhar para outra empresa que não fosse a minha. Acho que essa foi a maior contribuição da AIESEC. Me senti forte e confiante o suficiente para dar esse próximo passo, e calhou de não ser no Brasil, até porque sempre quis uma carreira super internacional! 

Conversando com um amigo chamado Peeyush Rastogi, que em 2014 foi presidente da AIESEC de Jaipur, Letícia percebeu que  ela e Peeyush tinham os mesmos valores e ideais de ter um negócio próprio e fazer o bem às pessoas.  Assim nasceu a Happee.  Uma empresa que vende bolsas, sapatilhas bordadas à mão por artesões e alguns “souvenires” típicos da Índia.  Atualmente a Happee já tem clientes no Brasil, Índia, Rússia, China e Estados Unidos.

O propósito da Happee (que brinca com a palavra Happy) é criar um mundo melhor e mais feliz, através de um consumo mais consciente e fazer o bem a quem precisa. Nossa ideia é ter consumidores felizes por estarem comprando algo que faz a diferença no mundo, e fazer crianças carentes felizes por terem acesso a um futuro melhor. Então, a cada produto vendido, parte do lucro é revertida para bancar a educação de crianças carentes aqui em Jaipur. Se Deus quiser, no futuro também apoiaremos crianças brasileiras, e de diversos países.

 

O que ficou

Letícia ressaltou algumas características que desenvolveu depois das experiências dos intercâmbios.

Ter atitude e voz para me defender quando necessário. Brasileiro normalmente é super gentil, não gosta de se indispor com os outros, mas quando você é mulher solteira e vai morar sozinha em um lugar como a Índia, aprender a se impor, dizer não, ser grossa quando necessário são coisas um tanto quanto essenciais.

Resiliência também é uma palavra-chave. São muitas e muitas e muitas dificuldades a serem superadas, e muitas vezes elas vão te fazer duvidar de si mesmo e da própria capacidade de vencer. Depois que você consegue e aprende a se adaptar é muito gratificante ver como algo que te incomodava tanto de repente nem importa mais, e como a sua experiência te fortaleceu.

Valorizar uma vida mais simples, ser menos materialista e ser você mesmo. Você começa a perceber suas reais características e valores, o tipo de pessoas que quer ao seu redor, e o que te faz realmente feliz. 

Abri muito a cabeça para diferentes culturas e me apaixonei pela Ásia. Antes tinha total aversão à Índia, e meu conceito de mundo era meio limitado à Europa e Estados Unidos, aquela coisa normal. Dois anos depois, ainda estou aqui! 

Sair da minha bolha, da zona de conforto, e compreender qual a realidade do mundo, quantas pessoas passam necessidade, e me tornar mais humana ao sofrimento alheio, querer de fato fazer algo para ajudar e ser a diferença.

 Para quem pretende se aventurar e viver novas experiências, Letícia deixa algumas dicas: 

Pesquise bem o que você espera para si mesmo e o que a organização pode te oferecer. Como membro a AIESEC é uma boa plataforma para descobrir seu estilo de liderança, aprender a falar em público, lidar com subordinados, vender projetos para empresas. Como intercambista, você passará por algumas dificuldades (se não fossem não nos fariam crescer) mas será tão maravilhoso quanto você desejar. Jamais vá para um país sem pesquisar sobre a cultura local, exatamente quais problemas você pode enfrentar por lá e SEMPRE tenha a cabeça aberta para aprender que a sua visão de mundo não está necessariamente correta, mas que existem 7 bilhões de pessoas no mundo e muitas acreditam em coisas que você não acredita e é perfeitamente possível viver em harmonia e aprendermos uns com os outros. Essa é a real beleza de explorar o mundo. 

 

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