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A realidade da mulher na Índia e como podemos mudar isso através do intercâmbio

  |  Postado por: AIESECo do Blog 25 de maio de 2016

 Segundo dados, 1 em cada 3 mulheres no mundo sofrem algum tipo de assédio, e 1 em cada 5 são vítimas de estupros. Na Índia, uma mulher é estuprada a cada 20 minutos. A ONU, em 2015, lançou 17 metas globais para serem atingidas até o ano de 2030, entre elas, a redução das desigualdades e a igualdade entre os gêneros.

A AIESEC, parceira da ONU, que ajudou a estabelecer essas metas, deseja atingir a paz e o preenchimento das potencialidades humanas a partir de trocas multiculturais por meio de intercâmbios, como o da Jéssica Mesquita, 24, que procurou o escritório da AIESEC na USP para realizar seu sonho de impactar a educação na Índia através de um intercâmbio profissional.

Conversando com a Jéssica, passamos por vários temas, desde as produções Bollywoodianas incríveis, até a diferença no tratamento das pessoas pelas suas castas. Mas algo que impressionou foi quando ela disse que, na Índia, quando uma mulher fica grávida de uma menina, isso não é comemorado, e que até se instaurou uma lei onde os médicos não podem contar para as famílias o sexo do bebê antes do nascimento. Isso ocorre pela alta taxa de feticídios do país, onde, de cada 10 mil fetos mortos, só um é do sexo masculino.

Jéssica indica que todos assistam um documentário do Netflix sobre o assunto, o “India’s Daughter”, que conta a história de Jyoti Sighn, uma estudante de 23 anos que foi brutalmente estuprada por 6 homens (incluindo um menor de idade) enquanto voltava do cinema, em 2012. Nos depoimentos desse documentário, encontramos um senhor indiano que diz que o principal problema da Índia é a mentalidade do seu povo, que diferencia meninos e meninas desde antes do seu nascimento.

Já os defensores dos estupradores alegam que mulheres são como diamantes, e devem ficar dentro de casa para não serem “dados aos cães”. Além disso, dizem que ela foi a culpada pelo que aconteceu, por estar à noite nas ruas de Délhi com pessoas que não eram seus parentes. Isso mostra que o mundo ainda vive numa sociedade patriarcal, onde o homem é visto como superior à mulher, e há quem diga que é preferível que as mulheres morram após o estupro que continuem vivas, envergonhando a família.

É claro que cada país tem seus problemas culturais, e não será fácil revertê-los. O caminho mais assertivo é se questionar sobre os seus costumes, e deixar a semente para que outras sociedades façam o mesmo. Isso pode ser feito através do intercâmbio.

Como a Jéssica disse, o fato de ela estar lá expondo uma parte da cultura brasileira fez com que os indianos começassem a pensar no modo em que agiam, e que ela “talvez não tenha gerado diretamente uma mudança, mas o fato de estar lá fez com que eles parassem para pensar na sua própria cultura e se descobrir também”.

A Jéssica foi para Chennai trabalhar como consultora de idiomas e treinadora de Português, Inglês e Espanhol através do programa Talentos Globais, de intercâmbios profissionais. Após o contato com o escritório da AIESEC na USP, ela passou por uma entrevista com a empresa e embarcou nessa experiência, que foi uma das melhores de sua vida.

 

Nós concordamos que as mudanças estão ocorrendo. Elas não virão da noite para o dia, mas existem pessoas (jovens, na maioria) que estão em busca da redução das desigualdades e da igualdade de gênero. Se as próximas gerações de líderes, como os alunos da Jéssica, crescerem se importando com os direitos humanos e lembrando que existem culturas diferentes da deles, como aprenderam com sua professora brasileira, a mudança pode ser acelerada.

Não foi difícil encontrar pequenas mudanças que já estão em vigor. Desde o caso Jyoti, a Índia já endureceu quando o assunto é a violência contra a mulher e a igualdade de gênero. O ativismo está cada vez mais forte, e os estudantes não toleram mais casos de violência, seja um estupro ou violência doméstica. Um outro exemplo dessas mudanças veio do governo indiano, que lançará um aplicativo para celulares em 2017 que servirá como um botão para alertar pessoas sobre situações de perigo na região.

 

 

A mudança ocorreu também para a Jéssica, que não só se descobriu ainda mais na sua estadia na Índia, como também entendeu a importância que a troca de experiência multiculturais pode ser um grande passo para a instauração de um futuro melhor para o mundo. Com uma visão global, a Jéssica pode empoderar seus alunos para que também se descobrissem, e não fugissem da luta por uma Índia e um mundo melhor.

 Se você também quer fazer parte desse movimento, quer deixar uma semente de mudança em outras culturas, para que as próximas gerações vivam em um mundo com mais respeito, igualdade e paz, conheça os programas de intercâmbio da AIESEC e se desenvolva como um líder.

 

 

 

 

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