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15 filmes para entender o Brasil

  |  Postado por: AIESECo do Blog 7 de janeiro de 2015

Engana-se quem trata o cinema brasileiro como um produto de qualidade inferior.

Logicamente que, se o que te satisfaz são as explosões de Transformers ou o ~enredo profundo~ de Velozes e Furiosos, vai ser difícil se satisfazer com a produção nacional. “Lucrar” fala muito alto em qualquer atividade no mundo e o cinema do nosso país por vezes se rende ao comercial. Nada contra, é preciso se sustentar.

O crescimento é evidente (o que não indica qualidade, mas esse não é o mérito no qual vamos entrar nesse texto). Em 1995, foram 14 produções nacionais. O número pulou para 71 em 2006, 100 em 2011 e 127 em 2013. Nesse ano, das 10 maiores bilheterias no país, três eram de filmes brasileiros.

No entanto, o Brasil já deu e dá muito espaço para quem quer pensar com uma câmera na mão e um roteiro debaixo do braço. E os resultados são, muitas vezes, espetaculares.

Sem analisar tecnicamente as obras e em ordem alfabética (para a lista não ser interpretada como um ranking), o blog da AIESEC vai (tentar) listar 15 filmes para entender melhor a história, a cultura, os dilemas e os costumes do nosso país. Fique à vontade para contestar, sugerir e completar.

#1 O Auto da Compadecida (1999)

Baseado na obra de Ariano Suassuna, o filme retrata de maneira divertida a pobreza do sertão nordestino e a criatividade com que muita gente leva a vida nesses lugares. De quebra, o filme aborda a cultura local e a religiosidade muito forte do Nordeste. Com direção de Guel Arraes, o filme foi premiado aqui e no exterior (Viña del Mar, Cartagena e Miami).

#2 Batismo de Sangue (2007)

O teólogo e escritor mineiro Frei Bretto é o autor do livro que deu origem a este filme assinado por Helvécio Ratton. Uma das obras mais chocantes que retratam a ditadura militar no Brasil através de uma história real, o filme fala sobre a perseguição, prisão e tortura de um grupo de frades católicos que apoiavam o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional.

#3 Cabra Marcado Para Morrer (1985)

Um filme que levou 21 anos para ficar pronto. Eduardo Coutinho é o diretor deste filme documentário que começou a ser produzido em 1964 e, por causa do golpe militar, ficou paralisado até 1981. Coutinho conta a história de João Pedro Teixeira, camponês, pai de família e líder político que foi assassinado por lutar pelos direitos da classe. Premiado em Berlim, Setúbal, Havana, Rio de Janeiro, Gramado e Paris.

#4 Carandiru (2003)

O diretor é argentino, mas o filme é brasileiro. Hector Babenco assina essa adaptação do livro Estação Carandiru, de Dráuzio Varella, que foi médico da Casa de Detenção. O filme retrata as histórias de vida de vários presidiários, a forma como eles foram parar na cadeia e suas relações dentro do Carandiru. O massacre, episódio lamentável na história brasileira, encerra a narrativa. O filme foi premiado e Hector Babenco foi indicado à Palma de Ouro em Cannes.

#5 Central do Brasil (1998)

Um dos filmes mais famosos do cinema nacional pela atenção chamada no exterior. Central do Brasil, do diretor Walter Salles, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Outro grande feito foi Fernanda Montenegro ser indicada como melhor atriz mesmo em um filme de língua não-inglesa. Central do Brasil e Fernanda Montenegro faturaram o Globo de Ouro, além de dezenas de prêmios em Nova York, Los Angeles, Reino Unido, Berlim e outros festivais importantes na Europa e América Latina. O filme explora o abandono e a solidão no relacionamento entre Dora (Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira) em busca do pai do garoto no Nordeste. Imperdível.

#6 Cidade de Deus (2002)

Mais um filme que fez barulho no exterior. Além de outros prêmios, foi indicado a quatro estatuetas do Oscar (melhor diretor, roteiro adaptado, edição e fotografia), prêmios nobres do evento. O sucesso foi tão grande que a revista Time elegeu o filme um dos 100 melhores da história, e o The Guardian, um dos maiores jornais britânicos, nomeou o longa de Fernando Meirelles como o sexto melhor filme de ação da história do cinema.

#7 Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Referência para 11 em cada 10 cineastas brasileiros, o baiano Glauber Rocha é o diretor desse filme que denuncia injustiças e explorações nas relações entre classes que lutam por terras e a influência da Igreja sobre a vida dessas pessoas.

#8 Guerra de Canudos (1997)

Outro filme que evidencia a força da religião e conta um episódio histórico: o conflito entre o Exército Brasileiro e seguidores de uma seita religiosa encabeçada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro. Dirigido por Sérgio Rezende.

#9 Macunaíma (1969)

Joaquim Pedro de Andrade adaptou o romance de Mário de Andrade para o cinema e criou um ícone do cinema nacional. A comédia conta a história do “herói sem nenhum caráter” em uma saga que une na história um sincretismo de costumes e culturas genuinamente brasileiras.

#10 O Pagador de Promessas (1962)

Vencedor da Palma de Ouro de Cannes (Melhor Filme), indicado ao Oscar, e premiado em São Francisco e Cartagena, esse filme de Anselmo Duarte é mais um que retrata a intolerância religiosa e continua atual, mesmo 50 anos depois. A obra original é uma peça de teatro de Dias Gomes, que também foi adaptada como minissérie pela Rede Globo.

#11 O Palhaço (2011)

Um vislumbre da realidade dos circos dos anos 70 que percorriam o interior do Brasil (especialmente Minas Gerais) e um retrato das pequenas cidades, seus costumes, particularidades e causos. Uma reunião de grandes atores brasileiros sob a batuta de Selton Mello e uso de recursos do teatro (inclusive alguns atores dos aclamados mineiros do Grupo Galpão).

#12 Rio, 40 graus (1955)

O intuito de Nelson Pereira dos Santos, diretor desse filme documentário, é registrar costumes e hábitos da vida de pessoas comuns do Rio de Janeiro.

#13 Terra em Transe (1967)

Mais um acerto de Glauber Rocha e um filme que continua atual. Repleto de metáforas, Terra de Transe discute a forma como os habitantes de um país fictício na América do Sul (o Brasil vivia a ditadura quando o filme foi lançado) lidavam com a política e como os políticos viam suas ideias, o povo e quem pensava de maneira diferente. Assustadoramente familiar.

#14 Toda Nudez Será Castigada (1972)

Baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues, o filme de Arnaldo Jabor foi liberado para, em seguida, ser censurado pelo governo militar. O que salvou a obra da censura definitiva foi a conquista do Urso de Prata no Festival de Berlim. Jabor leva para a tela o que Nelson Rodrigues mais destilava em seus escritos: uma visão crítica e sarcástica da sociedade.

#15 Tropa de Elite (2007)

Encerrando a lista, o filme que dispensa apresentações porque todo mundo já assistiu ou já sabe o que acontece do começo ao fim. José Padilha busca retratar o lado dos policiais na guerra contra o tráfico de drogas, as contradições, desvios de conduta e crimes que os dois lados, PM e bandidos, compartilham.

Dureza fazer uma lista como essa e ver que outros 50 filmes ficaram de fora. Os filmes aqui listados são, em geral, denúncias, críticas, conteúdos sérios e, por vezes, pesados. No entanto, uma das grandes graças da arte está em olhar para nós mesmos e vermos nossas falhas, entendê-las e propor soluções.  Isso nosso cinema sabe fazer com maestria.

O que achou da lista?

Leia a nossa lista dos 5 filmes para entender o México!

 

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